Professor emérito da Unifesp, o neurocientista Esper Cavalheiro revisita sua trajetória como cientista e gestor de ciência e tecnologia 

Com mais de 15 mil citações na base Scopus e uma produção científica extensa, Esper Cavalheiro é um dos nomes centrais da neurologia experimental no Brasil. Graduado em medicina em 1974, ele descreve a então Escola Paulista de Medicina como um ambiente “fantástico” para formação e troca de conhecimento. 

Em vez de seguir diretamente pela residência médica, optou pelo mestrado para ter como orientador Ivan Izquierdo, pioneiro no estudo da neurobiologia da memória e do aprendizado. No doutorado, foi orientado pelo neurologista Eliova Zukerman, um “ídolo”, como ele diz, responsável por lhe proporcionar um aprendizado amplo e eclético.

Aprovado em concurso para professor assistente, Cavalheiro partiu para o pós-doutorado na França, no Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), e na Itália, na Università Degli Studi di Roma, entre 1982 e 1983. Ao retornar ao Brasil, manteve por cinco anos um compromisso de intercâmbio constante com a Itália como professor visitante. 

Artigo do Prof. Esper no Boletim Notícias FAPESP, 1998

Foi nesse período que criou, na Unifesp, o primeiro centro nacional voltado ao estudo da neurologia experimental, área dedicada a investigar mecanismos fisiopatológicos ligados a diferentes distúrbios neurológicos. Ao longo da carreira, publicou mais de 500 artigos, muitos deles em colaboração com pesquisadores de diversos países, consolidando redes internacionais de pesquisa.

No final dos anos 1990, em um contexto de otimismo e mobilização em torno do futuro do país, foi convidado pelo ministro Ronaldo Sardenberg para ocupar o cargo de secretário de Políticas e Programas de Ciência e Tecnologia do então Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Carlos Américo Pacheco, ex-diretor-presidente da FAPESP e à época secretário-executivo do ministério, participou da entrevista e recorda como Cavalheiro se envolveu profundamente com a tarefa de fortalecer políticas públicas para a ciência.

Do ministério, Cavalheiro seguiu para a presidência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), entre 2001 e 2003. O período foi marcado por dificuldades no financiamento da pesquisa, exigindo cortes e reestruturações. Sua gestão ocorreu em um momento delicado para a ciência brasileira, quando atender às demandas da comunidade científica era um desafio constante.

De volta à Unifesp, Cavalheiro assumiu funções estratégicas de gestão universitária, incluindo a pró-reitoria de Planejamento e, posteriormente, a de Pós-Graduação e Pesquisa.

A entrevista com Esper Cavalheiro integra a série de registros produzidos pelo Centro de Memória FAPESP, dedicada a preservar trajetórias que ajudam a compreender o desenvolvimento da ciência no Brasil.