O físico Luiz Nunes de Oliveira Nunes é professor titular do IFSC-USP, tendo sido agraciado 26 vezes com o prêmio Horácio Carlos Panepucci, concedido pelos estudantes ao melhor docente de cada turma

Em entrevista ao Centro de Memória, o físico Luiz Nunes de Oliveira recorda seus anos iniciais no Instituto de Física de São Carlos da USP (IFSC-USP), onde se formou em 1973, na primeira turma do instituto. “Éramos uns 20 alunos”, lembra. 

Contratado como auxiliar de ensino no ano seguinte, Nunes iniciou uma trajetória acadêmica que o levaria a centros de pesquisa internacionais. Fez doutorado na Universidade de Cornell e no Instituto Nórdico de Teoria (Nordita), em Copenhague, além de pós-doutorado nas universidades de Ohio e da Califórnia, em Santa Bárbara. Foi nesse período que trabalhou com Walter Kohn, que uma década depois receberia o Prêmio Nobel de Química.

Segundo Nunes, a formação internacional de pesquisadores teve impacto profundo no IFSC, especialmente por contribuir para fortalecer a física experimental em um instituto que até então possuía maior tradição em física teórica.

Professor titular do IFSC-USP, Luiz Nunes foi agraciado 26 vezes com o prêmio Horácio Carlos Panepucci, concedido pelos estudantes ao melhor docente de cada turma. O dado revela uma dimensão fundamental de sua trajetória: além da pesquisa e da gestão científica, sua atuação como formador de jovens físicos marcou décadas de vida universitária.

Ao longo da carreira, Nunes ocupou posições estratégicas no sistema científico paulista e nacional, como pró-reitor de Pesquisa da USP (2001–2005), coordenador de área e coordenador adjunto na FAPESP, editor-chefe do Brazilian Journal of Physics e coordenador científico da revista Pesquisa FAPESP.

Atualmente, é gestor do programa Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs), que ajudou a implantar no início dos anos 2000 – uma iniciativa central para a pesquisa de longo prazo no Estado de São Paulo.

Na entrevista, Luiz Nunes também relembra um momento decisivo para a astronomia no país: o ingresso da FAPESP no consórcio do Southern Astrophysical Research Telescope (Soar), instalado em Cerro Pachón, no deserto do Atacama, no Chile. O contrato foi assinado na época em que era coordenador adjunto na FAPESP. “Isso mudou a astronomia no Brasil”, afirma.

A oportunidade surgiu em 1995, quando uma das universidades do consórcio desistiu do projeto. O então diretor científico da FAPESP, José Fernando Perez, criou um comitê com astrônomos de renome internacional e o físico Herch Moysés Nussenzveig.  A conclusão foi clara: o Brasil deveria ter protagonismo no empreendimento, contribuindo com instrumentos, desenho e estrutura. O astrônomo João Steiner assumiu a liderança da iniciativa.

A experiência acumulada com o Soar, avalia Nunes, qualificou o Brasil para participar de projetos internacionais ainda mais ambiciosos, como o telescópio Pierre Auger, em Malargüe, na Argentina, que reúne um consórcio de 17 países.

Essas iniciativas mostram como a ciência contemporânea se constrói em rede e como decisões institucionais podem redefinir o lugar de um país em grandes projetos globais.

Além da trajetória acadêmica e institucional, a entrevista também registra passagens pessoais marcantes. Ainda estudante do científico, Nunes viveu um ano na Califórnia em um intercâmbio estudantil. O capitão do time de futebol da escola era um garoto forte que, anos depois, ele reconheceria ao assistir ao filme Sociedade dos Poetas Mortos: tratava-se do ator Robin Williams. 

Participaram da entrevista José Roberto Drugowich – segunda turma do IFSC-USP – e Raul Machado, respectivamente chefe de gabinete e assessor da Presidência da FAPESP. A conversa com Luiz Nunes de Oliveira integra a série de entrevistas preservadas pelo Centro de Memória FAPESP, dedicada a registrar trajetórias de pesquisadores e projetos que marcaram a história da ciência no Estado de São Paulo.