Climatologista de referência internacional, Carlos Nobre fala sobre a COP30, os riscos do aquecimento global e o legado do Experimento LBA, que inaugurou uma nova era de pesquisa em larga escala na Amazônia.
O acervo do Centro de Memória FAPESP reúne entrevistas que ajudam a compreender como ciência, políticas globais e decisões nacionais se entrelaçam diante dos grandes desafios contemporâneos.
Entre essas vozes, está a do climatologista Carlos Nobre, pesquisador sênior do Instituto de Estudos Avançados da USP e copresidente do Painel Científico para a Amazônia.
Em entrevista à Agência Fapesp, às vésperas da COP30, em Belém (PA), Nobre afirmou que conferência precisava ser “a mais importante de todas” em termos de avanços concretos no combate às mudanças climáticas.
Em sua avaliação, a humanidade se aproxima rapidamente de um cenário perigoso: superar 2 °C de aquecimento global até 2050 e, assim, ultrapassar diversos “pontos de não retorno”. Entre os impactos previstos estão a extinção em massa de recifes de corais, o descongelamento do permafrost no hemisfério norte, liberando metano, a aceleração do derretimento na Groenlândia e na Antártica, o aumento do nível do mar e, de forma dramática, a possibilidade de a Amazônia deixar de ser floresta e passar a emitir mais carbono do que absorve
A entrevista evidencia como a ciência climática já não fala apenas em projeções distantes, mas em limites próximos e irreversíveis.
Carlos Nobre foi o primeiro coordenador científico do Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera da Amazônia (LBA), considerado o maior projeto científico já realizado em uma floresta tropical. A iniciativa começou a ser desenhada em 1993 e passou a operar efetivamente em 1999, reunindo pesquisadores do Brasil, de países amazônicos, dos Estados Unidos e da Europa.
O LBA implantou uma rede inédita de infraestrutura científica na região, com torres de medição, aviões de pesquisa e experimentos de longo prazo. Em poucos anos, o experimento chegou a ter mais de 25 locais de medição espalhados pela floresta e pelo Cerrado.Para saber mais detalhes, veja o conteúdo na íntegra.
A entrevista com Carlos Nobre integra a série de registros preservados pelo Centro de Memória FAPESP, dedicada a documentar trajetórias e projetos científicos fundamentais para compreender o Brasil e seus desafios. O acervo reúne entrevistas, documentos e reportagens sobre ciência na Amazônia, mudanças climáticas e grandes experimentos de pesquisa.


