Na entrevista para a exposição virtual “Ciência na Amazônia: história, desafios e descobertas“, do Centro de Memória da FAPESP, Carlos Américo Pacheco (diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP de 2016 a 2025) aborda a tradição de longa data da FAPESP no financiamento de pesquisas sobre a Amazônia, que inclui estudos importantes como as expedições de Paulo Vanzolini e o LBA (Grande Experimento de Biosfera-Atmosfera na Amazônia), os quais subsidiaram a posição do Brasil em negociações climáticas internacionais. O foco central da discussão é a criação da Iniciativa Amazônia+10, que surgiu há cerca de três anos na época da conferência de mudanças climáticas de Glasgow, para financiar um fundo amazônico de 500 milhões de reais, com o aporte inicial de R$ 100 milhões da FAPESP. A iniciativa evoluiu para um esforço conjunto que reúne a FAPESP e as nove Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) da Amazônia Legal, além de várias outras FAPs do Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, totalizando 25 fundações. A Amazônia é vista como o “principal moonshot” (grande missão) do Brasil, sendo considerada o maior desafio do país e um compromisso para preservar os serviços ambientais da floresta. O Amazônia+10 representa uma mudança de foco: além das pesquisas tradicionais sobre o dossel (clima, absorção de carbono), há um direcionamento para olhar “para baixo do dossel”, buscando criar oportunidades de emprego e renda para os 30 milhões de brasileiros que vivem na região, de forma compatível com a manutenção da floresta em pé. Isso visa oferecer alternativas para que a população não seja empurrada para atividades ilegais como o garimpo ou o desflorestamento. O modelo de financiamento do Amazônia+10 é singular por ser uma cooperação multilateral inédita e por estabelecer que qualquer recurso de terceiros (agências nacionais ou internacionais, fundos privados) só pode ser aplicado na Amazônia Legal. Entrevista realizada em 21/05/2024, com a participação de Thais Gurgel e Sibélia Zanon como entrevistadoras.